Os meus ouvidos distinguem a esquerda da direita?
Sim, e com muito mais finura do que a maioria imagina. Um som vindo de um lado chega ao ouvido mais afastado um pouco mais tarde, e os jovens adultos notam esse atraso quando é de apenas cerca de 20 milionésimos de segundo: no estudo de Thavam e Dietz de 2019, 52 adultos sem treino, dos 18 aos 39 anos, tiveram uma média de 21,7 microssegundos, o suficiente para ouvir um som deslocar-se cerca de 2,4° perto da frente. Este teste de localização sonora mede o menor deslocamento que os teus próprios ouvidos conseguem apanhar.
Com auscultadores, cada tentativa toca duas rajadas de meio segundo de um chiado grave. A primeira inclina-se um nadinha para um lado e a segunda o mesmo para o outro, por isso o som parece mover-se, e tu dizes se se moveu para a esquerda ou para a direita. Essa inclinação é uma diferença interaural de tempo (ITD, na sigla inglesa), e o som copia a melhor condição do estudo de Thavam e Dietz. São quinze linhas, de 320 µs a 2,5 µs; cada resposta certa desce-te uma linha, o primeiro erro dá uma segunda tentativa e o segundo termina o teste. A tua linha mais fina é calibrada por simulação para o limiar de 79,4% de respostas certas do estudo, por isso os teus microssegundos comparam-se diretamente com esses 52 adultos.
Não é um teste de audição e não diz nada sobre a saúde dos teus ouvidos. O estudo testou pessoas com audição normal num laboratório, com auriculares de inserção a 70 dB; outros telemóveis, auscultadores e volumes mudam o número, e uma única ronda curta pode variar cerca do dobro para cima ou para baixo, por isso várias rondas dizem mais. Colunas, áudio mono, um só auricular ou o áudio espacial apagam a diferença entre os ouvidos de que o teste depende. E o grupo de comparação tem entre 18 e 39 anos, enquanto distinguir a direção pelo tempo costuma ficar mais difícil com a idade.
O que o teste mede
Uma só coisa, medida como uma tabela de acuidade visual: o menor movimento de um som, para a esquerda ou para a direita, que ainda consegues ouvir.
A tarefa
- Duas rajadas de 0,5 s de ruído de 20 a 1400 Hz nos auscultadores; a segunda desloca-se para a esquerda ou para a direita da primeira através de uma diferença interaural de tempo
- 15 linhas, de 320 µs a 2,5 µs, com o passo a reduzir-se para metade a cada duas linhas
- Uma resposta certa passa a linha; o primeiro erro é uma segunda tentativa e o segundo termina o teste
- Antes, uma verificação dos auscultadores em dois passos, com o som num só ouvido; se os lados estiverem trocados, o teste corrige-os sozinho
O teu resultado
- O menor movimento que consegues ouvir, em graus, o teu limiar em microssegundos (µs) e o teu nível (1–15)
- A percentagem dos 52 adultos sem treino de Thavam e Dietz (2019) que superas em finura
- Pontos de referência: média sem treino de cerca de 21,7 µs, nove ouvintes treinados com cerca de 8,4 µs e o melhor deles com 5,0 µs
- O teu limite em termos do dia a dia: quanto tem de se desviar para o lado alguém a falar a 10 m
- Um mostrador em que podes tocar para ouvir um som saltar da frente para qualquer ângulo
- Um cartão para partilhar e uma ligação que desafia um amigo a bater o teu ângulo
Antes de começares
- Auscultadores ou auriculares estéreo, os dois colocados; as colunas não servem, porque cada ouvido precisa do seu próprio canal
- Desliga o áudio espacial, o seguimento da cabeça e o áudio mono
- Num iPhone, desliga primeiro o modo silencioso
- Cerca de três minutos
Perguntas sobre localização sonora
Este teste é gratuito? Preciso de me registar para ver o resultado?
Sim, é gratuito e não há registo: sem conta, sem email, sem pagamento. O teu resultado aparece nesta página assim que terminas, e podes partilhá-lo ou jogar outra vez de imediato.
Até que ponto os ouvidos humanos localizam bem os sons?
Muito bem: os jovens adultos notam uma diferença de tempo entre os ouvidos de cerca de 20 microssegundos. Thavam e Dietz (2019) mediram uma média de 21,7 µs em 52 adultos sem treino, dos 18 aos 39 anos, e de 8,4 µs em nove ouvintes treinados. Com uma coluna numa sala silenciosa, Mills (1958) verificou que os ouvidos mais apurados distinguem direções separadas por cerca de 1° mesmo à frente.
Como é que este teste de localização sonora calcula o meu resultado?
O teste de localização sonora pega na linha mais fina que acertaste antes do teu segundo erro e calibra-a, por simulação, para o limiar de 79,4% de respostas certas usado por Thavam e Dietz (2019), por isso os teus microssegundos comparam-se com os 52 adultos deles. O ângulo vem da fórmula da cabeça esférica de Woodworth. Uma única ronda pode variar cerca do dobro para cima ou para baixo.
Porque preciso de auscultadores para um teste de localização sonora?
Os auscultadores enviam um sinal separado para cada ouvido, e o teste funciona atrasando um ouvido alguns milionésimos de segundo. As colunas misturam os dois canais na sala antes de o som te chegar, e o áudio mono, um só auricular ou o áudio espacial fazem o mesmo dentro do aparelho. Uma breve verificação com um só ouvido, no início, apanha a maior parte destes casos.
É possível treinar os ouvidos para localizar melhor os sons?
A prática parece ajudar muito. No estudo de Thavam e Dietz de 2019, nove ouvintes com horas de prática em laboratório tiveram uma média de 8,4 µs, bem menos de metade dos 21,7 µs dos 52 adultos sem treino, e o melhor deles chegou aos 5,0 µs.
A idade afeta a localização sonora?
Normalmente, sim: distinguir a direção pelas diferenças de tempo entre os ouvidos tende a ficar mais difícil com a idade, e Ross e colegas (2007) encontraram sinais desse declínio a começar na meia-idade. Aqui, o grupo de comparação tem entre 18 e 39 anos, por isso o percentil descreve melhor quem é mais novo.
Isto é um teste de audição?
Não. O teste de localização sonora mede uma só capacidade, ouvir para que lado um som se moveu, com os teus próprios auscultadores; não mede quão alto um som tem de ser para o ouvires e não diz nada sobre a saúde dos teus ouvidos. Se te parecer que um ouvido ouve menos do que o outro, ou se a tua audição mudou, consulta um audiologista.
De onde vêm os números
Os percentis comparam o teu limiar calibrado com os 52 adultos sem treino do estudo de Thavam e Dietz, usando o histograma dos limiares deles na tese de Thavam de 2018; com apenas 52 pessoas, os extremos aparecem como “mais fino do que todas as pessoas do estudo” ou “os 5% de baixo”. Os ângulos usam a fórmula da cabeça esférica de Woodworth (Woodworth e Schlosberg, 1954). O site não publica dados dos seus próprios jogadores.
- Thavam & Dietz (2019), Journal of the Acoustical Society of America — Smallest perceivable interaural time differences
- Thavam (2018), MSc thesis, Western University — Identification of the Smallest Perceivable Interaural Time Differences
- Mills (1958), Journal of the Acoustical Society of America — On the minimum audible angle
- Ross, Fujioka, Tremblay & Picton (2007), Journal of Neuroscience — Aging in binaural hearing begins in mid-life: evidence from cortical auditory-evoked responses to changes in interaural phase
Como se calcula o resultado
Diferença interaural de tempo (ITD)
O desfasamento entre um som chegar a um ouvido e ao outro. Vindo mesmo do lado de um ouvido, é de cerca de 650 µs; este teste reduz essa diferença até 2,5 µs.
Escolha forçada entre duas opções
Cada par tem uma só resposta certa, esquerda ou direita, por isso um palpite acerta metade das vezes; é por isso que a linha mais fina passada não é tomada à letra.
Calibração para 79,4%
A linha mais fina passada é multiplicada por cerca de 2,17, um fator obtido ao passar ouvintes simulados por esta mesma tabela, para dar a diferença de tempo que acertarias em 79,4% das vezes, o critério que Thavam e Dietz relataram.
Ângulo
A cabeça esférica de Woodworth (raio de 8,75 cm, som a 343 m/s) converte o teu limiar num ângulo em torno da frente. É uma ilustração, não uma segunda medição.